{"id":2648,"date":"2020-09-22T00:03:19","date_gmt":"2020-09-22T03:03:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ricardomartin.com.br\/?p=2648"},"modified":"2021-02-01T17:26:09","modified_gmt":"2021-02-01T20:26:09","slug":"ceratocone-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.ricardomartin.com.br\/?p=2648","title":{"rendered":"Ceratocone"},"content":{"rendered":"\r\n<p>O ceratocone \u00e9 um dist\u00farbio chamado distrofia cont\u00ednua e progressiva, que ocorre na c\u00f3rnea com afinamento central ou paracentral, geralmente inferior, resultando no abaulamento anterior da c\u00f3rnea, na forma de cone. A apresenta\u00e7\u00e3o \u00e9 geralmente bilateral e assim\u00e9trica.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Trata-se de condi\u00e7\u00e3o rara, encontrada em todas as ra\u00e7as, nas diferentes partes do mundo, com preval\u00eancia que varia de 4 a 600 casos por 100.000 indiv\u00edduos. Hist\u00f3ria familiar est\u00e1 presente de 6 a 8% dos casos, sugerindo heran\u00e7a familiar. Seu aparecimento mais comum ocorre na puberdade, geralmente entre os 13 e os 18 anos de idade, progride por aproximadamente 6 a 8 anos e, ap\u00f3s, tende a permanecer est\u00e1vel.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O ceratocone pode estar associado a condi\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas como as s\u00edndromes de Down, Turner, Ehlers-Danlos, Marfan, al\u00e9m de atopias, osteog\u00eanese imperfeita e prolapso da v\u00e1lvula mitral. Condi\u00e7\u00f5es oculares \u00e0s quais pode estar relacionado s\u00e3o a ceratoconjuntivite vernal, aniridia, amaurose cong\u00eanita de Leber e retinose pigmentar. O paciente pode relatar mudan\u00e7as frequentes na prescri\u00e7\u00e3o de \u00f3culos ou diminui\u00e7\u00e3o na toler\u00e2ncia ao uso de lentes de contato.<br \/>Os sinais observados pelo oftalmologista incluem:<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&#8211; reflexo em \u201cgota de \u00f3leo\u201d quando realizada a oftalmoscopia direta;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&#8211; reflexo irregular \u201cem tesoura\u201d \u00e0 retinoscopia;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&#8211; linhas de Vogt (estrias estromais, verticais, finas e profundas);<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&#8211; anel de Fleischer (dep\u00f3sitos epiteliais de ferro ao redor da base do cone);<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&#8211; espessura estromal reduzida;<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&#8211; sinal de Munson (abaulamento da p\u00e1lpebra inferior quando paciente olha para baixo);<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&#8211; sinal de Rizutti (reflexo c\u00f4nico visto precocemente na c\u00f3rnea nasal, quando se ilumina diretamente a c\u00f3rnea temporalmente).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Uma complica\u00e7\u00e3o poss\u00edvel \u00e9 a hidropsia aguda, l\u00edquido que penetra nas camadas da c\u00f3rnea, provoca diminui\u00e7\u00e3o s\u00fabita da acuidade visual associada a desconforto e lacrimejamento. O tratamento do epis\u00f3dio agudo \u00e9 feito com solu\u00e7\u00e3o salina hipert\u00f4nica e oclus\u00e3o, ou lente de contato terap\u00eautica. Com a cicatriza\u00e7\u00e3o, que ocorre entre 6 e 10 semanas, pode haver melhora da acuidade visual devido ao aplanamento da c\u00f3rnea.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Nos casos mais brandos, o tratamento do ceratocone \u00e9 inicialmente realizado por meio de \u00f3culos. Para astigmatismos maiores ou um pouco avan\u00e7ados, lentes de contato r\u00edgidas podem ser adaptadas com sucesso. Atualmente, alguns casos apresentam melhora com adapta\u00e7\u00e3o de lentes hidrof\u00edlicas pr\u00f3prias para ceratocone. O tratamento cir\u00fargico, com transplante penetrante de c\u00f3rnea, \u00e9 indicado para os casos mais avan\u00e7ados ou com cicatrizes extensas que n\u00e3o melhoram com lentes de contato. Ap\u00f3s a cirurgia geralmente \u00e9 necess\u00e1rio o uso de lentes de contato para obten\u00e7\u00e3o de melhor acuidade visual.<br \/>Lentes de Contato e Ceratocone<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>O uso de lentes de contato em pacientes com ceratocone \u00e9 considerado quando os \u00f3culos n\u00e3o possibilitam boa vis\u00e3o.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ao adaptar uma lente de contato no paciente o oftalmologista busca condi\u00e7\u00f5es que possibilitem uma adapta\u00e7\u00e3o mais fisiol\u00f3gica, em que ocorra uma menor agress\u00e3o \u00e0 c\u00f3rnea com menor probabilidade de piora da evolu\u00e7\u00e3o do ceratocone.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>H\u00e1 v\u00e1rios desenhos de lentes de contato que podem ser utilizados na corre\u00e7\u00e3o \u00f3ptica do ceratocone, dentre eles: lente de corte simples, monocurva externa, de desenho padr\u00e3o; lente Soper, bicurva posterior; lente r\u00edgida g\u00e1s-perme\u00e1vel com desenho escleral; sistema a cavaleiro (piggyback); lentes esf\u00e9ricas; lentes t\u00f3ricas. Dependendo do est\u00e1gio de evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a deve-se avaliar qual o desenho mais apropriado.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Todo usu\u00e1rio de lentes de contato deve fazer uma avalia\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica de sua adapta\u00e7\u00e3o (a cada 6 meses). As lentes devem ser limpas e desinfectadas a cada uso. Isso deve ser feito por meio de fric\u00e7\u00e3o e enx\u00e1gue, com o uso de solu\u00e7\u00f5es apropriadas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Autores: Dr. Nilo Holzchuh e Dra. Karin Ikeda<br \/>Refer\u00eancias<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Bechara, S.J. &amp; Kara-Jos\u00e9, N. Ceratocone. In: Belfort J\u00fanior, R. &amp; Kara-Jos\u00e9, N. C\u00f3rnea: Cl\u00ednica-Cir\u00fargica. S\u00e3o Paulo, Roca, 1997. 619p.<br \/>Dantas, P.E.C. &amp; Malta, J.B.N.S.. Desordens ect\u00e1sicas. In: H\u00f6fling-Lima, A. L., Nishiwaki-Dantas, M. C., Alves, M.R. Doen\u00e7as externas oculares e c\u00f3rnea. Rio de Janeiro, Cultura M\u00e9dica: Guanabara Koogan, 2008 (Oftalmologia brasileira). 579p.<br \/>Kanski, J. K . Oftalmologia cl\u00ednica: uma abordagem sistem\u00e1tica. 6 ed. [tradu\u00e7\u00e3o Maria In\u00eas Corr\u00eaa Nascimento et al] \u2013 Rio de Janeiro, Elsevier, 2008.931p.<br \/>Lima, C. A. Proposi\u00e7\u00e3o e teste de um question\u00e1rio de qualidade de vida em pacientes com ceratocone. Campinas, 2001. (Tese \u2013 Mestrado \u2013 Unicamp)<br \/>Pena, A. S. Ceratocone. In: Coral-Ghanem, C; Kara-Jose, N. Lentes de Contato na Cl\u00ednica Oftalmol\u00f3gica. Rio de Janeiro, Cultura M\u00e9dica. 3 ed, 2005.<br \/>Moreira, S.M.B.; Moreira, H. Lentes de Contato. Rio de Janeiro, Cultura M\u00e9dica 2 ed., 1998.<br \/>Coral-Ghanem, C. Ceratocone. In: Lentes de Contato (S\u00e9rie Oftalmologia Brasileira). Netto, A.L.; Coral-Ghanem, C, Oliveira, P. R. Rio de Janeiro, Cultura M\u00e9dica: Guanabara Koogan, 2008<br \/><a href=\"https:\/\/www.cbo.net.br\/novo\/publico-geral\/ceratocone.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.cbo.net.br\/novo\/publico-geral\/ceratocone.php<\/a><\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ceratocone \u00e9 um dist\u00farbio chamado distrofia cont\u00ednua e progressiva, que ocorre na c\u00f3rnea com afinamento central ou paracentral, geralmente inferior, resultando no abaulamento anterior da c\u00f3rnea, na forma de cone. A apresenta\u00e7\u00e3o \u00e9 geralmente bilateral e assim\u00e9trica. 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