As pesquisas com células-tronco estão provocando grandes avanços no cenário da Oftalmologia, bem como em inúmeras outras áreas da medicina.
Essas células têm a capacidade de diferenciação e podem se transformar em qualquer célula do organismo humano. São utilizadas no tratamento de doenças como leucemia, linfoma, doenças hereditárias autoimunes e muitas outras.
No âmbito das doenças oculares, novos testes estão sendo realizados constantemente. Os resultados iniciais são promissores, especialmente em relação às patologias oculares crônico-degenerativas, como a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DRMI), e outras patologias retinianas.
Além da DRMI, inúmeras doenças da retina, decorrem da degeneração de fotorreceptores e das células do Epitélio Pigmentar da Retina (EPR). Entre elas, retinose pigmentar, doença de Stargardt, distrofia de cones, etc. As pesquisas procuram encontrar formas para reverter os danos oculares causados por essas doenças através da produção de novas células geradas a partir da célula-tronco.
Implantes feitos com células-tronco para pacientes com DRMI
Recentemente, foi desenvolvido nos Estados Unidos um implante composto por células-tronco, que mostrou certa eficiência no tratamento da Degeneração Macular Relacionada à Idade. Os voluntários que se submeteram ao teste tiverem suas retinas protegidas de maiores danos. Em casos bem específicos, foi possível recuperar parte da visão. Embora ainda sejam bastante embrionárias, essas experiências apontam para o desenvolvimento de novos tratamentos oftalmológicos.
O procedimento resulta na renovação de células do epitélio pigmentar da retina (EPR). O epitélio é fundamental para nutrir as células da retina que captam a luz (fundamental para que a visão aconteça). A técnica consiste na criação em laboratório de novas células de EPR, que podem ser implantadas na parte de trás do olho do paciente, possibilitando a regeneração celular.
Transplante de células-tronco da córnea
A superfície ocular, principalmente a córnea e a conjuntiva, são sensíveis a danos externos como queimaduras e infecções, que podem levar a cegueira, situação que outrora era considerada irreversível.
Atualmente, o transplante de células-tronco da córnea (transplante de células do limbo) pode ser uma alternativa para restabelecer a visão. Essas células atuam principalmente na regeneração do epitélio da córnea.
Cautela
De modo geral, os estudos com células-tronco, especialmente no tratamento de doenças oculares, representam um vasto campo de estudo, que precisa ser explorado com cautela. Comitês de ética e especialistas na área da saúde afirmam que no caso de doenças da retina, por exemplo, ainda não há garantia de que os tratamentos com célula-tronco não trazem riscos de efeitos colaterais (como desenvolvimento de tumores). Muitos desses tratamentos ainda estão em fase experimental e devem ser realizados exclusivamente no ambiente de pesquisa.
Fonte: Revista Veja Bem – Conselho Brasileiro de Oftalmologia

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